A pergunta mais obscena
Com a iminente oficialização da candidatura de Barack Obama à presidência dos EUA, torna-se cada dia mais forte a exposição, pela grande mídia, de uma pergunta capciosa: “Estarão os EUA preparados para ter seu primeiro presidente negro?”.
O que na aparência é uma simples pergunta, na verdade esconde em si uma série de armadilhas retóricas. Essa linha de raciocínio não é nova, muito menos o populismo messiânico esbanjado pelo candidato que, sem dúvida, é o escolhido da mídia mundial.
Já que vamos falar das armadilhas retóricas montadas pela imprensa e pelo próprio candidato, analisemos a frase:
Parte 1: “Estarão os EUA preparados para…”
Já na primeira parte da pergunta vemos o quão invertidos estão os papéis nesse caso. São os EUA que devem provar estar preparados para Obama? Não seria Obama, um candidato inexperiente e até há pouco tempo desconhecido do grande público, quem deveria mostrar seu preparo para comandar a maior economia do planeta?
Sem dúvida se trata de um grande orador, com apuradas técnicas retóricas; mas quais as suas credenciais administrativas, político-econômicas e diplomáticas? Nenhuma, fora o fato de já ter dito que não vê problema algum em dialogar com terroristas (Hamas) e com países que diariamente trabalham para a destruição dos EUA (Cuba e Irã). Para nós, no Brasil, há ainda um plus: Obama já disse que considera a Amazônia um “recurso global”.
Parte 2: “…ter seu primeiro presidente negro?”
Aqui é feito o gran finale da amarração retórica: quem não vota em Barack Hussein Obama é racista. Não tem importância se o cidadão escolhe votar em John McCain por convicções pessoais: é racista.
Se uma pessoa não vota no Candidato Democrata por achar que ele é despreparado e inexperiente (além de cultivar ligações perigosas), logo se trata de um WASP (White Anglo-Saxan and Protestant) querendo manter o establishment que garante os seus privilégios sobre a “classe oprimida”. Obviamente que se trata de uma “classe oprimida” que possui toda sorte de super-poderes, inclusos aí cotas em universidades e em empregos públicos.
Porém, ainda mais perverso é o seguinte: o único lado que demonstrou preconceito até o momento foi o de Obama. Descaradas manifestações de apoio por parte dos black panthers (grupo que prega a supremacia negra), aliadas às declarações de Jeremy Wright, pastor da igreja que Barack Obama freqüentava, cheias de conteúdo odioso contra aos EUA e a população branca. Isso sem contar as denúncias de que Obama teria empregado em seu gabinete no Senado dois membros do grupo ultra-radical Nation of Islam.
Conclusão: nada disso importa para a mídia.
A mídia mundial irá continuar apoiando Obama. Exceção feita a uns poucos veículos nos EUA, todos os grandes jornais, canais de TV e sites na internet estão claramente do lado Democrata. É grande a desproporcionalidade entre o número de eleitores republicanos dentro das redações e na população em geral.
As primeiras denúncias contra o racismo dentro da campanha de Obama surgiram na internet, para depois de muito tempo explodirem na grande mídia, quando o silêncio acerca desses fatos se tornou impossível. Mas será que os fatos e notícias vinculados por blogs independentes serão capazes de fazer frente ao poder de Obama na mídia? Fica a pergunta.
Daniel Souza