Velocidade, universalidade, baixo custo e facilidade no acesso a tecnologias e recursos logísticos. Sabedoria e habilidade para transformar dados em conhecimento. Eis a melhor combinação para se produzir riqueza duradoura com eficiência e igualdade de oportunidades.
Dentre todas as formas de sistemas econômicos e técnicas aplicadas ao desenvolvimento de um país ou região, nenhuma pode substituir a iniciativa genuína, individual ou coletiva, de pessoas comprometidas em produzir mais e melhor. Toda forma de progresso tecnológico que venha a trazer eficiência e racionalidade no uso de recursos produz um grande circulo virtuoso. Desde um aumento de produtividade, que possibilita uma maior escala de produção e subseqüentes preços menores, até os pequenos ganhos de eficiência no uso do tempo, que geram oportunidades para momentos livres, tudo é fundamental para o desenvolvimento.
Vamos a alguns casos:
- A adoção dos numerais arábicos foi um fator que elevou, em muito, a capacidade do ser humano de fazer contas matemáticas mais complexas;
- O arado, inventado na Idade Média, elevou a produtividade nas lavouras e trouxe mais conforto à dura tarefa de preparar a terra para o plantio;
- O advento das estradas romanas, que possibilitavam um meio seguro e rápido para o deslocamento de bens e pessoas;
- Os instrumentos astronômicos de navegação, que tornaram possíveis as expedições marítimas européias a partir do século XV.
Existem dúvidas a respeito da importância daquilo que essas iniciativas propiciaram?
O transporte de pessoas e mercadorias a baixo custo, combinado com uma logística eficiente, é condição essencial para qualquer atividade econômica - desde a mais básica. Quando o governo de um país oferece bons portos, estradas, ferrovias e aeroportos, a iniciativa privada faz o resto. Exemplos na História, de como uma boa logística impulsiona um país, não faltam:
- O surgimento das ferrovias inglesas no século XVIII possibilitou o intercâmbio de pessoas (conhecimento) e mercadorias (riquezas) por toda extensão da ilha britânica em uma velocidade incrível para a época, sendo parte fundamental no processo que transformou Inglaterra na maior potência mundial até então. A ferrovia e as locomotivas foram um dos pilares da primeira revolução industrial.
- Os modernos Estados Unidos contam com uma rede de distribuição just in time inimaginável anos atrás. Redes como a UPS e a FedEx coletam e entregam produtos em qualquer canto do país de um dia para o outro (e as vezes dentro do mesmo dia!), a um custo baixo para o usuário. Fenômeno que possibilita a entrega de produtos adquiridos na Web quase no mesmo tempo que se levaria para ir a uma loja física e voltar para casa.
- Um exemplo curioso: o apóstolo Paulo iniciou a primeira de suas viagens missionárias por Damasco, cidade que era um hub de carga e pessoas nos tempos bíblicos. Em Damasco se reuniam pessoas de diversas regiões e culturas, algo essencial para a missão do “Apóstolo dos Gentios” (ou “Apóstolo dos não-judeus”).
A eficiência no uso dos recursos é algo fundamental para se combater a fome e a poluição, pois podemos produzir mais bens com menos recursos. Por recursos entenda-se: terra, água, energia elétrica, combustíveis fósseis ou renováveis, banda de transmissão de dados etc. Vamos a outros exemplos de como a Humanidade caminha para a eficiência:
- Hoje produzimos muito mais alimentos por hectare do que em qualquer época na história. Fertilizantes, mecanização, ciência agrária desenvolvida, qualificação do homem do campo. Isso, com certeza, veio para contradizer Malthus. - Sim, é possível produzir alimento para todos -. Essa “crise de alimentos” é uma grande falácia para prejudicar os países produtores de alimentos (Brasil, EUA, Canadá, Austrália etc.) e justificar subsídios agrícolas na Europa, mas isso é tema para outro artigo.
- Os carros de hoje andam muitos mais quilômetros com um litro de combustível, e o fazem poluindo muito menos do que faziam no passado.
- Cada dia possibilitamos o tráfego de mais dados por segundo nas comunicações. A banda de transmissão de dados e a sua velocidade aumentam a cada dia. Agora ainda com mais potência e alcance, fazendo uso das novas tecnologias wireless. O armazenamento de dados pode ser feito na internet, de forma mais segura, possibilitando assim a troca de informações e a produção de conhecimento em tempo real, em qualquer lugar do mundo a qualquer hora.
Ao contrário do que muitos pregam em nossos tempos, os avanços tecnológicos não vêm para trazer desemprego ou o subjugamento do Homem perante a modernidade. Vêm, isso sim, para trazer uma melhor qualidade de vida e disponibilizar meios globais de acesso econômico. Se soubermos utilizar essas tecnologias com sabedoria.
Um garoto de Bangalore pode trabalhar, com um salário bem acima da média indiana, no desenvolvimento de um software para uma empresa alemã - coisa que seus pais jamais poderiam imaginar - e ter a chance de custear seus estudos de nível internacional e assim concorrer, com boas chances de sucesso, com qualquer garoto de Londres ou Los Angeles. Isso sem ter de sair de seu próprio país.
Aqueles que pregam a estagnação tecnológica geralmente o fazem, na verdade, por que têm obscuros interesses políticos, encobertos por um discurso de suposta igualdade. O pior é que eles pregam, da mesma forma, uma liberação e “modernização” dos costumes tradicionais, visando destruir as identidades regionais, culturais e de fé. Em outras palavras: não se importam com a construção da qualidade de vida e da igualdade de oportunidades, mas sim em desorganizar o espaço social e nivelar todos por baixo. A esperança contra isso está justamente naquilo que citei no início do texto: a iniciativa genuína, individual ou coletiva, de pessoas comprometidas em produzir mais e melhor. Isso sim é o que queremos: avanços tecnológicos que tragam prosperidade, porém aliados a manutenção daquilo que temos e é fundamental, a nossa identidade.