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Por Daniel Rocha “Ora, havia certo homem chamado Simão, que praticava
a arte mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande
vulto; ao qual todos davam ouvidos, dizendo: Este homem é o poder de
Deus; aderiam a ele porque há muito os iludira com mágicas” - Atos
8.9-11 David Copperfield, Criss Angel e o grande Houdini. O
que há em comum entre estes homens? São todos eles mestres na arte do
ilusionismo: o que você vê não é o que você vê, e palavras e gestos
apontam para aquilo que não é. O propósito deles não é mostrar a
verdade, mas divertir e sobretudo causar espanto. Diante de um ilusionista não se pergunta se aquilo é
real. Aos espectadores há a alegria de suspenderem momentaneamente o
enfado de suas vidas embarcando naquele teatro do entretenimento. Estes
homens podem até enriquecer com suas artes mágicas, mas em momento
algum chamam o que fazem de “verdade”, ao contrário, vendem ilusão para
o público que paga ingresso para ser iludido. Entretanto, há outra classe de ilusionistas que tem
provocado estupor. São os ilusionistas da fé. Desde o início da igreja
primitiva eles também se apresentam. Em Samaria havia um homem chamado
Simão que iludia o povo com suas artes mágicas, que chamava as mágicas
que ele praticava de “poder de Deus”. Estes também não têm compromisso com a verdade.
Prometem transformar ofertas e dízimos em emprego garantido, cura,
prosperidade e ascensão social. Assim como o público de Houdini, a
platéia moderna não está interessada em analisar os fatos através da
categoria da verdade. São pessoas sugestionáveis, e portanto crédulas
(que é diferente de ter fé), e jamais usam a bíblia como fonte de
critério e discernimento. Quando vemos milhares de pessoas reunidas, não numa
fé libertadora, mas numa fé cega, não amando a Deus com entendimento,
mas abrindo mão da razão, e não conferindo palavra por palavra do que
lhes é oferecido, então é como se todos estivessem num grande “transe”
similar ao espiritismo, com a diferença que os guias estão bem vivos.
Nos encontros promovidos pelos ilusionistas ocorre uma espécie de
hipnose coletiva, e não há nenhum interesse do espectador em sair
daquele estado, por isso barram qualquer pensamento crítico. Confrontar um ilusionista da fé é um sacrilégio,
pois ele se apresenta como o “poder divino”. Aliás, esta é a ação
preferida de Satanás: autenticar como sendo de origem divina todo e
qualquer ato prodigioso. A ação destes homens cria ilusão e não fé,
promove ajuntamento, mas não comunhão, agrada aos olhos, mas não
transforma o coração. Satanás é o Grande Ilusionista: nele tudo é
exagerado, carregado nas cores, nas certezas. Ele promove espetáculos
porque lhe falta conteúdo, entretanto domina magistralmente as técnicas
de manipulação de massas e de mentes. Imaginemos uma reunião com quatro mil homens de
negócios fazendo uma corrente para alcançar sucesso em suas
empreitadas, e para isso obedecem cegamente as ordens emanadas dos
ilusionistas (observem que eles sempre pedem para fazer algo estranho
para a mágica dar certo). Ao final de um mês, é bem provável que um em
cada quatro será bem sucedido, o que garantirá ao menos duzentos
testemunhos por um longo tempo. Mas o sucesso aconteceria
independentemente de qualquer confissão de fé. Seria o mesmo se
fizessem seus pedidos a Buda, Krishna, ou Santo Antão. A razão? Há uma
Graça Comum do Eterno para com toda a Sua Criação: “Deus é bom pra
todos” (Salmo 145.9), e por isso Ele manda o sol e a chuva tanto para
bons quanto para maus. Onde está o truque? Fazer crer que, eles,
ilusionistas, realizaram algo extraordinário. Mas eles jamais mencionam
a multidão de desiludidos que depois de algum tempo voltarão para casa
amargurados e decepcionados com Deus. Mas isto não importa, pois logo
outra gente se reunirá para buscar a “sorte grande”. Se os ilusionistas da fé realmente fizessem tudo
aquilo que prometem já teriam chamado a atenção do IBGE que registraria
bolsões de prosperidade em regiões de reconhecida pobreza. De igual
modo não há estatísticas provando que os freqüentadores de igrejas de
“Confissão Positiva” ficam menos doentes que os demais mortais. Mas
posso garantir que a estatística de morte entre eles é 100% igual aos
descrentes. Se os ilusionistas sofrerão severo julgamento, os
que se deixam iludir também passarão por ele, pois não acolheram “o
amor da verdade para serem salvos” (2Ts 2.9), e é por este motivo que
Deus lhes manda “a operação do erro para darem crédito à mentira, a fim
de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade” (2Ts
2.10-12).
J. Lee Grady
Ao anunciar que seu casamento chegou ao fim, Todd Bentley jogou o movimento num redemoinho e nos deixou perguntas que precisam ser respondidas.
Não deveria terminar assim.
O evangelista Todd Bentley anunciava aos quatro ventos que o avivamento de Lakeland era o maior derramamento pentecostal desde os tempos da rua Azuza (1906). Do alto da gigantesca plataforma da grande tenda na Flórida, Bentley pregou para milhares de pessoas, convidando-as a se prostrarem em oração. Muitas foram as pessoas que testemunharam curas de surdes, cegueira, problemas cardíacos, depressão e dezenas de outras enfermidades durante os cultos em Lakeland, durante mais de cem noites consecutivas. Bentley anunciou que dezenas de pessoas haviam sido ressuscitadas dentre os mortos durante o avivamento.
Mas, esta semana, poucos dias depois de anunciar o fim de sua participação em Lakeland, este pregador canadense anunciou que seu casamento chegara ao fim. A equipe de Bentley acha que a cessação do movimento não deve ser atribuída aos problemas pessoais de Bentley, mas lançou um release tornando pública a separação de Shonnah e Todd Bentley.
A notícia chocou os fãs do pregador e entristeceu aqueles que questionavam a credibilidade dos cultos desde que o movimento surgiu nos começos de abril. Estou triste. Desapontado. Estou uma fera. Aqui estão minhas muitas perguntas sobre este fiasco:
Porque tanta gente veio de várias partes do mundo para participar de encontros com um evangelista que, desde o início tinha sérios problemas de credibilidade? Em outras palavras, não dá pra crer!
Desde a primeira semana do avivamento de Lakeland muitos cristãos com discernimento levantaram questões sobre as crenças e práticas de Bentley. Sentiram-se incomodados quando ouviram-no afirmar que conversava com um anjo em seu quarto de hotel. Sentiram-se inquietos quando viram o pregador usando uma camiseta com a estampa de um esqueleto e se perguntavam como um homem de Deus podia ter tantas tatuagens pelo corpo. Ficaram horrorizados quando ele testemunhou que deu um soco num homem e arrancou-lhe um dos dentes durante a oração (com imposição de mãos).
Os que participavam das reuniões não sabiam discernir coisa alguma. Apenas aceitavam e engoliam tudo. A mensagem era clara: "Isto é de Deus. Não questione". Assim, antes de poder dizer "sheeka boomba" (que Bentley sempre orava do púlpito), muitas pessoas voltaram pra suas casas, ou foram deixadas no chão, abandonadas ao estilo Bentley.
Particularmente creio que, em parte, esta falta de discernimento foi por puro zelo a Deus. Temos tanta fome espiritual que corremos atrás de tudo. E, algumas vezes, os famintos tendem a comer qualquer coisa. Muitos de nós apreciamos muito mais uma demonstração barulhenta de milagres, de sinais e maravilhas do que um estudo bíblico em grupo. Contudo, somos confrontados com a triste realidade de que nosso zelo incontrolado é sinal de imaturidade. Nossa paixão adolescente nos leva a querer participar de coisas loucas e estúpidas. Está na hora de começarmos a crescer. Por que ninguém em Lakeland denunciou os comentários favoráveis que Bentley fez sobre Willian Branham?
Este é outro ponto de preocupação. Branham se entregou a terríveis enganos no fim de seu ministério, e suas doutrinas estranhas ainda são aceitas por seus seguidores nos dias de hoje. Por que ninguém corrigiu este engano diretamente do púlpito? Os líderes deveriam proteger o rebanho de heresias, e não alimentar o rebanho com mais heresias. Somente Deus sabe até onde chegou a heresia de Lakeland.
Que Deus nos perdoe por permitirmos que sua palavra fosse tão vilipendiada.
Um evangelista pentecostal famoso me chamou por telefone esta semana depois que a sujeira de Bentley se espalhou pelo ventilador. Ele me disse: "Estou certo de que uma grande parte dos carismáticos seguirá o anticristo quando ele aparecer, porque os carismáticos não têm discernimento". Que coisa! Felizmente aprendemos a lição e tomaremos as devidas precauções quando o impostor surgir.
Por que a emissora de televisão God TV afirmava que qualquer crítica contra Todd Bentley era de origem demoníaca? Esta declaração foi feita num dos programas de televisão deles. Os apresentadores da emissora chegaram a afirmar que qualquer pessoa que desses ouvidos aos comentários contrários a Bentley perderia sua cura e sua bênção. É o tipo de manifestação cultual da pior espécie.
A Bíblia afirma que os bereanos eram mais nobres porque examinavam as escrituras para se certificarem da verdade (At 17.11). No caso de Lakeland qualquer questionamento intelectual era visto como sinal de fraqueza. As pessoas eram solicitadas a entrar no mover para só então abrir os olhos.
Não é pelo fato de crermos no poder do Espírito Santo que vamos deixar nosso cérebro pendurado na porta da igreja. Somos orientados a testar os espíritos. Jesus quer que o amemos de todo coração. Este escândalo de Lakeland levará muita gente a se sentir traída e muitos, de tão frustrados desistirão de freqüentar uma igreja. Outros poderão sucumbir. Tudo seria evitado se os líderes tivessem a coragem de orientar as pessoas a avaliar suas experiências espirituais à luz da palavra de Deus.
Por que um grupo de respeitados ministros impôs as mãos sobre Bentley no dia 23 de junho e publicamente o ordenaram ao ministério? (NT: Líderes como Rick Joyner, Peter Wagner e outros declararam seu apoio a Bentley). Esta cerimônia controversa foi organizada por Peter Wagner, que achava que uma das grandes necessidades de Bentley era a de uma cobertura espiritual adequada. Ele pediu ao pastor californiano Che Ahn e a Bill Johnson, e ao canadense John Arnott que impusessem as mãos sobre Bentley e o colocassem sob cobertura (apostólica).
Certamente que Todd Bentley carecia de cobertura, pois ninguém deve viver por conta própria, isolado, sem ser cobrado, sem ter alguém por perto para se aconselhar. Seria bom que Wagner cuidasse de Bentley e que este reconhecesse a necessidade de pais espirituais aos quais deveria se submeter. A questão é que não foi nada recomendável fazer este tipo de cerimônia ao vivo pela TV, que na ocasião mais parecia uma cerimônia de coroação. Na realidade estes líderes deveriam ter levado Bentley para um quartinho e falado com ele ao pé do ouvido sobre sua vida pessoal.
A ordenação de um ministro é coisa séria. Paulo recomendou que não se deve impor as mãos precipitadamente sobre alguém para não se tornar "cúmplice de pecados de outrem" (1 Tm 5.22).
Apressamo-nos no processo, mas o apóstolo adverte-nos contra ordenações rápidas, e afirma que os que comissionam um ministro que ainda não está pronto, serão culpados dos fracassos desse obreiro. Acho que Peter Wagner, Bill Johnson e John Arnott não conheciam os problemas de Bentley antes de consagrá-lo. Creio que devem estar tristes pelos acontecimentos desta semana, e que estão socorrendo o casal (Bentley e a esposa) visando a restauração do matrimônio.
Creio que estes líderes, juntamente com Bentley e os proprietários da God TV (TV de Deus) devem uma explicação ao corpo de Cristo, um pedido público de perdão por haverem consagrado um homem tão prematuramente (E tal pedido de perdão deveria ser transmitido pela emissora de TV).
O que colheremos depois disto tudo? Depende da reação do povo. Se os homens encarregados de supervisionar Bentley o cercarem de amor e de firme correção, e se Bentley se submeter à disciplina deixando o ministério até se recuperar, poderíamos ter um caso saudável de disciplina, como se espera da liderança da igreja.
Se todos os que correram para promover a Bentley se arrependerem de seus erros com a mesma velocidade com que o apoiaram poderíamos ter um alento de esperança e acreditar que o movimento seja reerguido.
Creio que Deus quer visitar nossa nação com poder sobrenatural. Sei que ele quer curar as multidões, e continuarei a orar por um avivamento de cura em todos os Estados Unidos. Mas, temos de buscar o que é genuíno, não a imitação. O verdadeiro avivamento vem acompanhado de quebrantamento, humildade, reverência, de arrependimento e não de arrogância; o verdadeiro avivamento não tem show nem líder de destaque como o de Lakeland. Espero que todos do movimento carismático — os pentecostais — orem por Bentley, por sua esposa Shonnah, seus três filhos e pela equipe ministerial dele. Que o homem seja restaurado.
Tradução de João A. de Souza filho
Artigo original: Life After Lakeland: Sorting Out the Confusion, publicado em 13 de agosto de 2008 por www.charismanews.com
Divulgação: www.juliosevero.com